terça-feira, janeiro 29, 2008

Aqui ao lado é assim... e aqui como é?

A propósito de um artigo no jornal El País, gostaria de transcrever os seguintes parágrafos (peço desculpa por estar em espanhol):

"Los escenarios de cambio climático regionalizados para España, que coordinó el Instituto Nacional de Meteorología, sobre la alta montaña prevén aumentos de la temperatura máxima en invierno de unos dos grados a partir de 2040 en zonas como Lanjarón, Benasque, Jaca, Navacerrada o Reinosa. El aumento es mayor en noviembre y marzo, lo que indica que la temporada se acortará.

El español Javier Corripio, profesor de Ciencias Atmosféricas de Innsbruck (Austria) y experto en glaciares explica que aunque hay muchas incertidumbres y diferencias según el valle, la insolación, la orientación y la precipitación, cada grado de temperatura de subida supone que la nieve asciende unos 150 metros. Así que el aumento previsto en España se corresponde con subidas en la cota de nieve de 300 metros.

Un informe del Ministerio de Medio Ambiente afirma que "la nieve será cada vez más escasa en cotas bajas, como ya constatan los esquiadores veteranos" y que se han hecho "importantes inversiones en la producción de nieve artificial cuya rentabilidad a largo plazo es incierta, ya que muchas estaciones de esquí tendrán que reconvertirse en estaciones de montaña".

La alta montaña sufre el calentamiento más que los valles (donde se acumula el aire frío) y aunque hay incertidumbres (puede que el cambio climático aumente las nevadas en algunas zonas), la subida de la temperatura derretirá antes la nieve y dificultará el uso de cañones. La serie de alta montaña del refugio de Góriz, en Huesca, ya nota el aumento, según Javier Ferraz, de Meteorología: "En precipitación no se ve una tendencia, pero hay una subida de temperatura desde 1982".

Aunque el sector del esquí es oficialmente de los más escépticos sobre el calentamiento, comienza a rendirse a la evidencia. La directora de la patronal admite: "Es cierto que la cota de nieve ha subido, eso lo sabemos". Hay pistas, como la de El Río en Sierra Nevada, que hace 30 años era con frecuencia esquiable y hoy no siempre y por supuesto con cañones. Cualquier esquiador puede dar ejemplos en otras estaciones."

Acho que está tudo dito. Aqui ao lado, na vizinha Espanha que tanto "amamos" e que tanto defendemos como modelo, a realidade é esta. Já se começou a perceber o que é evidente. No mesmo artigo ainda podemos ler o seguinte:

"El pasado 31 de marzo, el presidente asturiano, Vicente Álvarez Areces, inauguró la estación de esquí de Fuentes de Invierno. Después de tres años de trabajo y más de 17 millones de euros del plan para las cuencas mineras, los Picos de Europa contaban con un nuevo polo económico y turístico: 8.200 personas cada hora podrían ascender por los remontes de los 8,5 kilómetros de pistas. "Una semana gloriosa", proclamó el socialista Areces. Nada podía ir mal.

Sin embargo, no ha podido ir peor. Casi 10 meses después, en su segunda temporada la estación no ha podido abrir ni un día. No hay nieve en Fuentes de Invierno."

Já que olhamos tanto para Espanha, acho que também podemos ver os erros que são cometidos por lá e evitar de cometer esses mesmos erros no nosso pequeno País à beira mar plantado.

Mas claro, aqui por estas bandas os senhores que gerem o Turismo na Serra da Estrela, em especial a RTSE, devem achar que o aquecimento global só acontece do lado de lá das fronteiras... Porquê? Ora vejamos este artigo no jornal Porta da Estrela, de 20-05-2007, e analisemos o montante que se quer investir na "micro" estância de esqui Vodafone:

"A este investimento junta-se a requalificação da estância de esqui (orçada em 6,3 milhões de euros), a implementação de um sistema de telecabines para atravessar parte do planalto central, entre as Penhas da Saúde e a Torre (10 milhões de euros) e a ampliação da estância de esqui (4 milhões de euros)."

Se os valores forem correctos, e se não houver derrapagens e "metidelas" ao bolso, na Serra da Estrela prevê-se gastar 10,3 milhões de euros na estância de esqui, mais 10 milhões de euros nas telecadeiras. Total 20,3 milhões de euros (mais de 4 milhões de contos em moeda antiga) em parte pagos pelos impostos cobrados a todos nós e integrados num programa "pomposamente" apelidado de PITER!

Com os dados mais que evidentes de que a neve (infelizmente) está a desaparecer, acha que tem alguma lógica investir-se este montante neste tipo de infraestruturas?!

Mas isto ainda não é tudo. Vejamos agora o seguinte artigo, no site da Kaminhos, com o seguinte título "Brincar na neve é bom" e em que a certa altura ficamos a saber que:

"A Federação Portuguesa de Esqui (FPE) juntou neste Domingo onze crianças entre os 7 e 11 anos na primeira sessão na Serra da Estrela do programa "Brincar na Neve é Bom", que pretende massificar os desportos de Inverno.

Tal como uma bola nos pés põe muitas crianças a sonharem ser jogadores de futebol, a FPE espera que brincadeiras na neve ajudem a descobrir uma nova geração de atletas de desportos de Inverno em Portugal. (excelente esta comparação...)

Depois de dois encontros no pavilhão de esqui coberto de Madrid no último
ano
, a sessão de hoje foi a primeira na Serra da Estrela, onde deverão decorrer outras duas ou três, "consoante a neve que exista nos próximos meses".

O objectivo da FPE é conseguir envolver 100 jovens e familiares no projecto "Brincar na neve é bom", orçado em 25 mil euros e apoiado pelo Instituto do Desporto de Portugal, pela Federação Internacional de Esqui e pelo Comité Olímpico."

Palavras para quê? Um sucesso... 11 crianças a brincar na neve e em que a ambição é descobrir uma nova geração de atletas de desportos de Inverno em Portugal.

Acho que os últimos tempos, o que anda a passar nesta Serra (em várias frentes) é que se anda literalmente a "Brincar com a neve" e não são estas 11 crianças... são uns senhores que já deveriam ter idade para ter juizo, mas infelizmente parece que lhes falta ainda muito.

Depois do que lhe expus, o que é que lhe parece caro leitor?
Das duas uma, ou "somos" burros, ou burros "somos"...

Ps: Alguém me informa quantos dias, esta época e a época transacta, as pistas "estádio, estrela e torre" da estância Vodafone estiveram em funcionamento? Creio que a resposta a esta questão explica de forma muito objectiva a realidade que actualmente se vive na Serra da Estrela...

3 comentários:

Anónimo disse...

Zero dias. Voila!
Cyril

Arménio disse...

11 crianças , quase todas familiares dos membros da Direcção da FPE ....José António Pinho ( presid FPE ) , Jorge Pombo(presid direcção FPE ) , José Carrola ( secretário ) ; José Manuel Diniz ( tesoureiro )... qual deles pode dizer que não tem desfrutado das idas ao estrangeiro na companhia dos seus familiares , em provas da FPE ?
E se tudo fosse bem explicado ? Afinal temos uma federação ou um grupo excursionista ?

Júlio Alves disse...

Não se pode comparar as Astúrias com a Serra da Estrela: neva mais (mais do que na capital da neve ;)), têm altitudes superiores à da Serra e o sr. Areces não queria abrir uma estância de esqui rentável, queria desempatar uns terrenos de uns amigos (como se pode ver no jornal "Nueva España"), por isso saíu-se muito mal. Contudo, e independentemente deste à parte, o artigo não tem falhas e vamos ver até onde vai a vontade de explorar os "mamarrachos".