terça-feira, outubro 02, 2007

Correspondência dos Leitores... # 11

Mais um e-mail de mais um leitor. Este em jeito de desabafo:

Durante uns belos dias de férias passados na região do algarve, observei em variadas praias a presença de um cartaz, entitulado “tempo que a natureza precisa para absorver materiais” da Região de Turismo do Algarve. Deduzi de imediato que esta campanha para além de conter uma mensagem ecológica e de bons valores cívicos, contem igualmente uma vertente de pressão psicológica para os banhistas. Posteriormente, verifiquei que muitas praias tinham feito uma evolução apreciável do número de caixotes de lixo e dos chamados “cinzeiros portáteis” para os banhistas não cairem na tentação de deitar lixo para o chão.

Inevitavelmente, fez-me recordar a situação ecológica grave em que se encontra a montanha mais alta e imponente de Portugal, o maior e potencial Parque Natural do país, e claro, a postura "adormecida" da Região de Turismo da Serra da Estrela e afins.

A colocação de cartazes como estes em pontos críticos da serra, ou a divulgação da mensagem em outro formato seria importante, mas primeiro que isso, seria fortemente prioritário a existência de caixotes de lixo nesses pontos críticos além disso bem assinalados!

Que mentalidade têm as entidades responsáveis pela preservação da nossa serra?

É com tristeza que observo a Serra da Estrela numa situação de extrema preocupação ambiental, em que todos, Turistrela, RTSE, Parque Natural, Autarquias e Juntas de Freguesias têm responsabilidade. Responsabilidade que não existe e é substituída por incompetência ou desleixo, outros valores se levantam, sendo passada de um para outro, “como uma batata quente”, num ciclo vicioso sem fim.

Aprofundando, refiro-me muito concretamente, á preservação da natureza e pureza que caracteriza um Parque Natural, á reflorestação / requalificação dos locais atingidos por incêndios, á protecção de abusos constantes em locais místicos, etc, etc, etc. A meu ver é o mais importante num Parque Natural, não é? Que entidades têm essa responsabilidade?


“Aldeia de montanha” ou “favela” ? Com sinceridade, é com profunda tristeza que vejo um desenvolvimento sem qualidade, massivo e desproporcional das Penhas da Saúde. Um turismo sem qualidade, diria até “saloio”. Uma exploração constante da natureza, uma visão megalomaníaca, enriquecedora e até destruidora, que causam danos irreversíveis na fauna, flora e paisagem.

Refiro-me muito concretamente, á necessidade da criação de um plano de desenvolvimento sustentado por um organismo único, competente e com pessoas qualificadas.

Reinados no séc XXI? Só em África... O poder político que em vez de ajudar, designa de “mamarrachos” aquilo que não lhe pertence.

Comércio? Refiro-me ao nosso cartão de boas-vindas e até de identidade. Vivemos actualmente na nossa região a um constante descaracterização da cultura, tradição e costumes serranos. Mensagem errada que é passada aos turistas e em que todos nós somos englobados.

É necessário acabar de uma vez por todas com bairrismos, politiquisses, gente incompetente e gananciosa.

Este estado de calamidade, exige a intervenção urgente de um poder superior.

Ass: Starframe

2 comentários:

Joaquim Freitas disse...

Parabéns pela chamada de atenção com as fotografias.
A começar pelo lixo as lojas existentes tanto na Torre como no Sabugueiro, retratam a falta de qualidade e pior o desleixo e sensibilização que os responsáveis pelo Turismo e autarquias decuram há já muitos anos. Não se pode continuar a falara em desenvolvimento Tuiuristico da Serra da Estrela quando a perservação do ambiente é nulo ( lixo por todo o lado), quando se permite que os logistas vendam produtos que nada têm a ver com a Serra e pior os ridiculos cães de peluche a emitar os cães da Serra ainda por cima fabricados na china.. a mistura de artigos comestiveis com artigos como casacos, loiças do Alentejo etc. Será que nem a ASAE, que perssegue hospitais, restaurantes , padarias etc não vê e nã vai colocar ordem... E o Presidente da Região de Turismo nã toma também qualquer posição pública, no minimo de sensabilização dos comerciantes da Torre e Sabugueiro? E o Sr. Presidente da Câmara da Covilhã e de Seia também porque não actuam? No fundo aqui tem que haver uma convergência de esforços e essencialmente de trabalho em conjunto. Esdtão todos de costas viradas e todos apenas com mentalidade de tratar das suas pequenas quintas. Nem o facto de terem um Primeiro Ministro da Covilhã conseguem ter peso politico para, sim agora fazerem um trabalho com pés e cabeça. Agora que o PM até vai à Covilhã, concerteza estão mais interessados em receb~e-lo com fanfarra em vez de o sensibilizarem para o que de facto pode fazer pela sua Terra. Mas lá andarão todos os seus amigos colados para aparecerem na Televisão e mostarem apenas que são amigos sem tirar retorno.

Joaquim Freitas

Jose Luis Portugal disse...

Pergunta bem onde param os 100 milhões do Piter?
Concerteza para se fazerem hoteis que vão ficar vazios. Senão vejamos? Com as fotografias que são aqui mostradas, alguém pensa que o Turismo na Serra da Estrêla poderá crescer quando ao subir a mesma se deparam com os casebres que existem, com lixo espalhado, com um trânsito ao fim de semana de fugir. Esses milhões que seriam de facto importantes para a região deveriam ser sim aplicados na reabilitação do maciço central, criando assim as condições para quem visita, voltar . Mas não, a preocupação maior, começou pelo fim, das entidades responsáveis pelo Turismo, primeiro hoteis. Ora, para quê tantos hoteis se depois não há qualidade na paisagem,Ambiente, nos serviços e produtos?
Para quê construir tantos hoteis se só existe Turismo ao fim de semana? Quem está a enganar os investidores? E Governo como apoia este tipo de despesismo em vez de direccionar esses milhões para limpar e perervar o ambiente?
é naturalmente mentalidade muito provinciana dos dirigentes Politicos Regionais. Podiam aprender com o Presidente da câmara de Tavira, como de Vila Nova de Gaia e muitos outros cuja preocupação foi reabilitraem os centros históricos e zonas degradas junto das orlas maritimas.
O interior ainda tem que aprender muito com o Litoral.
José Luis Portugal